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23 de outubro de 2020
Artigos Pastores Edson e Lenir

Recorrendo à graça


Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Efésios 2:8.

Lucas 15:11-24.

11 – Um certo homem tinha dois filhos;
12 – E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda.
13 – E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente.
14 – E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a padecer necessidades.
15 – E foi, e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para os seus campos, a apascentar porcos.
16 – E desejava encher o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada.
17 – E, tornando em si, disse: Quantos jornaleiros de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!
18 – Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti;
19 – Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros.
20 – E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.
21 – E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho.
22 – Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor túnica; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e sandálias nos pés;
23 – E trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos;
24 – Porque este meu filho estava morto, e reviveu, tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a alegrar-se.

INTRODUÇÃO:
A definição mais simplória sobre a graça é: favor imerecido de Deus. Até aí, não quer dizer muita coisa. O problema é quando nos mal acostumamos com a interminável bondade de Deus e começamos a abusar nos achando merecedores e o que é pior, a infeliz ideia de que é Deus quem precisa de nós e não nós d’Ele.
Fomos tragados pela ignorância a respeito da nossa espiritualidade. De repente, damos um valor inestimável as coisas materiais e as espirituais ficam em um plano mais inferior, mais esquecida.

Hoje, na era das especialidades procuramos especialistas para tudo. Nunca iríamos nos consultar com um médico que não fosse formado na faculdade de medicina. Nem procurávamos um odontologista que não tivesse cursado odontologia. Mas quando o assunto é espiritual, qualquer pastor serve, qualquer igreja serve, o que prova que sempre colocamos a nossa vida espiritual em um plano inferior. Não damos a devida importância.

Somando-se a isso, a nossa perda de motivação, a falta de alvos definidos, o não entendimento das obrigações do evangelho, o falso sentimento de eternidade e a interpretação pouco séria sobre o amor de Deus, sua paciência e tolerância.

E aí, quando percebemos, já estamos longe do alcance da graça e nos deparamos com dois caminhos, duas saídas: Ou nos humilhamos e retornamos para os braços do Pai, ou insistimos na nossa rota errada, o que certamente nos levará a perdição.

Nesta passagem do Filho Pródigo vamos ter uma ideia mais ampla sobre como abrimos mão da graça, como vivemos sem ela e como fazemos para recuperá-la.

PRIMEIRA PARTE: Primeira manifestação da Graça – 12 – E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda.

Primeiro quero deixar claro que o objetivo deste sermão é nos levar a uma profunda reflexão sobre a graça e sobre o nosso atual estado e não um tratado teológico ou uma mera discussão sobre a legalidade do ato ou sobre a lei que rege o ato.

Visto isto, se olharmos com uma visão bem justa e adaptada para os dias de hoje, o rapaz não teria direito a herança, ou pelo menos não poderia usufruí-la enquanto o seu pai estivesse vivo ou ainda enquanto ele não abrisse mão dos seus bens.

Notem que não houve nenhuma argumentação por parte do pai, diante do pedido. De pronto, ele simplesmente o atendeu, nos reportando ao ato da criação, quando Deus criou tudo e só depois fez o homem.
Às vezes temos a mesma atitude do jovem da parábola. Estamos nos achando muito merecedores, nos esquecendo que todas as coisas foram feitas por Ele e para Ele.

SEGUNDA PARTE: Recorrendo a graça – 17 – E, tornando em si, disse: Quantos jornaleiros de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!
18 – Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti;
19 – Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros.
20 – E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.

A Bíblia relata que o jovem foi para uma outra região e passou a gastar a sua herança dissolutamente. Chegou um momento que não havia mais dinheiro para gastar e para piorar a situação, uma fome se abateu sobre a região.

O jovem agora, procura emprego e o melhor que ele conseguiu foi cuidar de porcos. A situação era tão desesperadora que em alguns momentos ele teve vontade de comer a comida que os porcos comiam.

Talvez a sua situação, você que está lendo esta mensagem agora, não esteja muito diferente deste jovem. Quem sabe tenha perdido tudo com jogos, prostituição, drogas e até com negócios impensados, acumulando dívidas e prejuízos.

Talvez a sua situação não seja material, mas espiritual. Talvez você tenha se afastado perigosamente da presença de Deus, da casa do Pai, por motivos até justificáveis. Talvez tenha se decepcionado com pastores, líderes, com doutrinas e visões bisonhas e bizarras. Infelizmente, quando nos afastamos da casa do Pai, fatalmente enfrentaremos uma grande fome, que nos fará ou recuar e retornar à casa, ou seguir em frente e afundamos cada vez mais. A própria Bíblia adverte: Um abismo traz outro abismo.

TERCEIRA PARTE – Decidindo retornar – 20 – E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.

Uma das piores etapas é justamente a volta. Vários fatores vão ser pesados na sua cabeça. Primeiro vem a grande e feliz ideia da volta. O ânimo de estar voltando para casa é realmente revigorante. As esperanças são renovadas, novos projetos surgem do nada e a certeza de que aquilo nunca mais se repetirá é mais um alívio.

De repente, no meio da euforia da volta surgem as primeiras dúvidas. Será que serei recebido de volta pelo meu pai? Será que ele vai me perdoar? Como os outros me verão? É preciso muita vigilância e persistência para que o desânimo não vença a motivação da decisão da volta.

QUARTA PARTE – A segunda manifestação da Graça – 20 – E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.
21 – E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho.
22 – Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor túnica; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e sandálias nos pés;
23 – E trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos;
24 – Porque este meu filho estava morto, e reviveu, tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a alegrar-se.

Foi do Pai a iniciativa de correr em direção ao filho, lançar-se ao pescoço e o beijar. Em momento algum houve, por parte do pai, a alegação da atitude desvairada do filho.
O pai, em momento algum, exigiu que o filho se retratasse, se prostrasse aos seus pés e humilhantemente pedisse perdão. Aliás, você não ouve, em nenhum momento nesta passagem a palavra perdão.

Precisamos entender, de uma vez por todas, que mesmo que não estejamos sentindo falta de Deus, Ele, certamente está sentindo a nossa falta.
E a recepção não parou por aí. O pai manda que tragam a melhor túnica, um anel e sandálias.

Túnica – Uma simbologia de cobertura espiritual, transferência de autoridade.

No Éden, após o pecado, Deus mesmo costurou vestes para o homem. Elizeu teve por herança de Elias a sua capa e na morte de Estevão, o jovem Saulo foi quem ficou com a sua capa.

Anel – Símbolo de eterna aliança.
Sandálias – Para a comissão de levar o evangelho a toda a criatura. Em Efésios, mais precisamente nas armas espirituais, as sandálias são citadas.

E para finalizar, trouxeram um bezerro, que além do sacrifício de louvor pela volta do filho, serviu também de banquete comemorativo, como bem disse o pai: Este meu filho estava morto e reviveu; tinha se perdido e se achou.

CONCLUSÃO:
De certa forma nós também nos desviamos do projeto inicial de Deus, saindo da sua presença, da sua casa e indo para terras distantes, para gastar a nossa vida dissolutamente.

Precisamos tão somente reconhecer que erramos e decidirmos voltar.
Não ainda especulamos os reais motivos desta separação. Precisamos voltar urgentemente.

O melhor lugar para estarmos é nos braços de nosso Pai.

Edson e Lenir de Jesus – São Pastores da Igreja Batista Bíblica de Flores – Uma Igreja de Poder – Manaus – AM.

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