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7 de maio de 2021
Saúde

“O suicídio é só a ponta do iceberg”

O suicídio é um fenômeno multifatorial, que suscita temas desconfortáveis para a sociedade, como questões de gênero e relações familiares. Conversamos com a psicóloga e voluntária no Núcleo de Apoio à Vida Manaus (NAVIMA), Luziane Costa, para buscarmos uma compreensão da complexidade do tema.

O brasileiro é um povo feliz? Cada vez mais as pessoas têm mostrado sintomas de ansiedade e depressão. No Brasil, de 2011 a 2016, as tentativas de suicídio aumentaram 209,5% entre pessoas do sexo feminino, e 194,7%, entre pessoas do sexo masculino. Os dados constam no boletim do Ministério da Saúde brasileiro com o perfil epidemiológico das tentativas e óbitos por suicídio no Brasil, lançado em setembro de 2017. Informações da Organização Mundial Saúde (OMS) apontam ainda que mais de 800 mil pessoas morrem todos os anos por esta causa. A região Norte se destaca por ter as maiores taxas relacionadas ao sexo masculino nos Estados de Roraima (5,1/100 mil hab.), Rondônia (3,1/100 mil hab.) e Amapá (2,2/100 mil hab.). A boa notícia é que 9 em cada 10 casos podem ser prevenidos.

“Em 2015, uma amiga compartilhou comigo a campanha internacional de conscientização do suicídio, Suicide Prevention Awareness. O objetivo era promover uma ação voltada para saúde mental no local onde trabalhava e percebi o quão silencioso é falar sobre suicídio”. Foi assim que a psicóloga clínica especialista em relações familiares, Luziane Costa, 43, iniciou sua trajetória no combate ao suicídio até atuar, hoje, como voluntária no Núcleo de Apoio à Vida de Manaus (NAVIMA).

Foto: Arquivo Pessoal Luziane Costa

Luziane explica que o suicídio é um fenômeno complexo, que atinge todas as classes sociais, gêneros, raças e religiões. Os fatores de risco geralmente estão ligados à situação sociodemográfica, psicológica e transtornos mentais. Segundo a OMS, “mais de 90% das pessoas que cometeram o autoextermínio tinham algum tipo de transtorno mental, isso não descarta que uma pessoa que esteja experienciando uma perda significativa possa agir impulsivamente”, ela complementa.

A questão de gênero também é importante quando se fala prevenção do suicídio, conforme afirma a psicóloga. “Hoje o homem de 15 a 29 se mata quatro vezes mais que a mulher. O homem é silenciado historicamente, “engole o choro”, “é frescura”. Isso nos preocupa a ponto de buscarmos mais espaços para que possamos discutir sobre gêneros, pois o suicídio é a ponta do iceberg”.

Vale ressaltar que não existe uma causa específica, precisa da soma de vários fatores de risco e situações de vulnerabilidade que, juntas, podem desencadear o comportamento suicida.

Não existe fórmula mágica, mas alguns fatores podem ser considerados de proteção, como boa relação familiar, recursos emocionais para lidar com estresse, prática de esporte e rede de apoio – amigos, grupos sociais, locais onde a pessoa se sinta aceita e acolhida. Luziane diz que é preciso investigar, pesquisar e ter políticas públicas eficazes para trabalhar em prol desse assunto.

Vaquinha

Luziane é uma das voluntárias do Núcleo de Apoio à Vida de Manaus (NAVIMA) que tem lutado para a implantação do CVV Manaus. Para que o projeto ocorra, os voluntários do NAVIMA pedem a colaboração da população por meio de vaquinha online disponível no site: www.vakinha.com.br/vaquinha/instalacao-do-posto-do-centro-de-valorizacao-da-vida-em-manaus.

O CVV Manaus fortalecerá a rede nacional 188 de apoio emocional, valorização da vida e a prevenção do suicídio.

Peça ajuda

Busque ajuda através do número de telefone 188 ou atendimento presencial em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), policlínicas, Unidades Básicas de Saúde (UBS), clínicas-escola e espaços que realizam atendimentos de psicologia e psiquiatria.

Em casos emergenciais, como tentativas de suicídio, a pessoa deve ser encaminhada para o Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro.

Centro de Valorização da Vida (CVV)
Telefone: 188

Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro
Endereço: Av. Constantino Nery, 4307 – Chapada.
Telefone: (92) 3131-3650

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