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1 de dezembro de 2020
Artigos Luisa Santiago

Suicídio, a prevenção continua, vamos nos manter informados para ajudar!

O mês de Setembro já acabou, mas a prevenção ao suicídio continua. Muitos até sabem da campanha do setembro amarelo, é o mês de maior movimentação na prevenção ao suicídio, mas muitos não sabem como surgiu.

Em 1994, Mike Emme, de 17 anos tirou sua própria vida. Mike restaurou um Mustang 68 e o pintou de amarelo e amava aquele carro, por causa disso começou a ser conhecido como “Mustang Mike”. Infelizmente as pessoas próximas de Mike não perceberam que ele precisava de ajuda, Mike tirou sua própria vida. No dia do seu funeral, uma cesta de cartões com fitas amarelas presas a eles estava disponível para quem quisesse pegá-los. Os cartões e fitas foram feitos pelos amigos de Mike e possuíam uma mensagem: se você precisar de ajuda, peça ajuda.

Fonte: psicologosberrini.com.br

Os cartões se espalharam, em poucas semanas começaram a aparecer ligações. Diversas cartas chegavam de adolescentes buscando ajuda. A fita amarela foi escolhida como símbolo do programa que incentiva aqueles que têm pensamentos suicidas a buscar ajuda. Em 2003 a OMS instituiu o dia 10 de setembro para ser o Dia Mundial de Prevenção do suicídio e em 2015 teve início a campanha setembro amarelo. Uma iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Assim como esse garoto e entre tantas outras pessoas que tiraram a própria vida, precisavam de ajuda. Quando alguém comete suicídio não quer tirar sua vida e sim o fim do sofrimento, por isso a importância da campanha para trazer conscientização e conhecimento sobre o suicídio, é preciso estar atento aos sintomas e riscos, podemos buscar ajuda ou até mesmo ser aquela ajuda naquele momento de crise, contribuindo na prevenção dessa causa. É claro que a prevenção não se resume a um único mês e sim a todos os outros dias, mas a campanha traz uma movimentação ainda maior no mês de setembro junto do laço amarelo.

Uma das maiores causas do suicídio é a depressão! Alguns dos sinais são:
• Tristeza profunda
• Distúrbio do sono (ter insônia ou dorme demais)
• Pensamentos negativos
• Desinteresse nas atividades que mais gosta de fazer; apatia
• Baixa autoestima; desleixo com a aparência
• Dores físicas; rejeição; isolamento
• Irritabilidade, choro frequente; fadiga
• Mudanças comportamentais, mudanças na alimentação (perda ou ganho de peso em pouco tempo).

Alguns fatores que podem levar ao suicídio:
 Divórcio ou qualquer fim de relacionamento
 Desemprego
 Doenças terminais
 Bullying
 Pessoas que sofrem de alguma violência psicológica
 Violência sexual
 Mudanças significativas na família
 Culpa; remorso
 Ansiedade; medo
 Abuso de substâncias
 Histórico de suicídio familiar
 Estresse extremo.

Além da depressão e dos fatores, também têm os outros transtornos mentais que são considerados fatores de risco ainda maior, entre alguns estão: transtorno de ansiedade, transtorno bipolar, transtorno de personalidade borderline, transtorno psicótico como esquizofrenia.

É importante ressaltar o transtorno bipolar do borderline, pois são parecidos. Os sintomas do bipolar costumam aparecer em fases, o paciente tem um episódio de depressão grave ou de mania, como: euforia, sentimentos de grandeza e comportamentos impulsivos, também há o estado misto, tem alteração no sono, no apetite, na energia para concentração, crises mais intensas, impedindo que cumpram com as tarefas do dia a dia, há oscilação no humor. Já no borderline as oscilações de humor são muito mais rápidas, o paciente tem dificuldade em lidar com as demandas da vida, do estresse, que tem dependência emocional de alguém, se automutila, muitas vezes para tentar aliviar uma emoção, raiva, ansiedade, as pessoas se cortam ou se machucam em situações de crises.

O bipolar leva uma semana em estado de euforia para depressão, enquanto o borderline em apenas um dia do estado de euforia para depressão. É importante que o profissional saiba distinguir os transtornos, pois os antidepressivos que ajudam aliviar os sintomas do borderline, podem deflagrar um episódio grave de mania no bipolar, assim prejudicando.
A morte por suicídio é 2 vezes mais frequente em homens do que em mulheres, mas as mulheres tentam 2 vezes mais e no Brasil os homens se suicidam quase 4 vezes mais do que as mulheres. As mulheres são mais afetadas pelo suicídio, mas os métodos escolhidos pelos homens são mais letais.

Vamos aqui falar um pouco da masculinidade tóxica, um dos motivos que leva aos homens cometerem suicídio, um risco. Masculinidade tóxica se refere as características que a sociedade tende a retribuir de maneira estereotipada ao sexo masculino, é a construção de identidade dos homens a partir de uma educação que promove desvalores como: agressividade, medo de ser gay, medo de ser fraco, homens não choram, não expressa sentimento. Quantas vezes já não ouvimos isso?

A masculinidade tóxica está tão presente na sociedade e isso resulta em homens com estado emocional extremamente instável, os homens reprimem seus sentimentos, pois as emoções são vistas como fraqueza, se limitam a tal masculinidade que não se dão conta de seu próprio sofrimento diante disso. Quantas vezes têm que se manterem forte? se fazendo de durões. Padrões impostos pela sociedade, como não vai querer sexo? Você é homem; futebol e a cor azul são coisas de menino, como se fosse obrigatório todos os homens gostarem e quem disse que azul é só para meninos? e rosa só para meninas? Crescemos ouvindo e vendo isso a todo momento, mas as cores não dizem absolutamente nada sobre você, você pode usar o que quiser e ser o que quiser, sem ter que estar inserido em um padrão que não te define, você pode chorar sim e não tem nada de errado nisso, pode se sentir cansado e está tudo bem, você não é de ferro.

A masculinidade tóxica pode matar no trânsito, no trabalho, pode matar por não procurar ajuda médica, por achar que não precisa, como câncer de próstata, muitos homens se sentem inseguros sobre a realização do exame e só procuram ajuda quando já se encontram em um nível grave. Quanto mais cedo for o diagnóstico, maior é a possibilidade de tratamento.

O suicídio é a terceira causa de morte no Brasil, perdendo para homicídios e acidentes de trânsito. A taxa de suicídio continua se mantendo alta entre os jovens, é preciso estar atento as falas “eu preferia estar morto”, “eu não posso fazer mais nada”, “não aguento mais”, “eu sou um peso para os outros”, vão ser mais felizes sem mim” “ vou sumir”.
Tudo e qualquer palavra em relação ao suicídio tem que ser levado a sério, muitos não acreditam, não dão importância, pois 80% avisam que vão se matar, casos de tentativas de suicídio tem grande risco de nova tentativa. É importante o apoio familiar e de amigos.

Quando perceber que uma pessoa próxima de você está diferente, se isolando, se desfazendo de seus pertences que mais gosta, não se afaste dessa pessoa, se preocupe, dê apoio, peça ajuda, seja a ajuda pra essa pessoa, as vezes só de fala já traz alívio. Não a julgue, as vezes a pessoa quer ser ouvida sem levar sermão.
Redes socias aderem à campanha, os primeiros sinais de aviso podem aparecer em meios de comunicação e o Instagram pode ajudar a intervir de forma anônima com suas novas opções de suporte.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) é uma organização sem fins lucrativos que oferece, gratuitamente, apoio emocional e de prevenção ao suicídio, via telefone, e-mail e chat. O atendimento é de total sigilo, 24 horas por dia. A grande maioria das mortes por suicídio poderiam ser evitadas. Precisa de AJUDA? Não tem com quem falar? não confia em alguém pra falar ou não se sente confortável, LIGUE 188. Vamos lutar por nossas vidas.

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