Slow Fashion, a contracultura da indústria da moda

Foto: Pixa Bay

Comprar roupas em brechós e redesenhar peças velhas são só algumas das proposta do movimento que questiona os bilhões lucrados anualmente pela indústria têxtil brasileira.

Além de ser uma das mais valiosas indústrias do mundo, a moda é também a segunda mais poluente.  No Brasil, o setor de vestuário chegou a lucrar cerca R$ 170 bilhões, só em 2017, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Em contrapartida ao consumo exagerado de tendências, um movimento tem se destacado, o slow fashion.

A “moda lenta”, em tradução literal, é uma alternativa ao fast fashion, e inclui em sua filosofia comprar roupas vintage, redesenhar roupas velhas, comprar de pequenos produtores, fazer roupas e acessórios em casa e comprar peças que duram mais. O objetivo é prolongar a vida útil do vestuário.

Lylle Abreu, 43, é produtora de moda, idealizadora e coordenadora do movimento independente Slow Fashion Manaus (@slowfashion.manaus). Ela conta que o projeto nasceu da necessidade de ir na contramão do consumo desenfreado, sem consciência, ética e responsabilidade. Hoje o Slow Fashion Manaus atua com um coletivo de brechós, promovendo eventos pela cidade com oficinas, palestras e profissionais na área de moda. Além de informar e conscientizar sobre o consumo de moda sustentável, o movimento dá visibilidade e potencializa a moda no Amazonas, valorizando a mão de obra local, incentivando  designers, estilistas e produtores de moda a mostrarem o valor do seu trabalho.

50% da minha renda mensal era destinada a gastos desnecessários com roupas, acessórios”, conta Lylle Abreu, 43, produtora de moda, idealizadora e coordenadora do movimento independente Slow Fashion Manaus. / Foto: arquivo pessoal Lylle Abreu

“Sempre fui amante da moda! Desde sempre fui curiosa por esse universo, que até então se parecia altamente glamouroso pra mim”, conta Lylle, que já chegou a se considerar uma pessoa consumista compulsiva, investindo mais 50% de sua renda mensal em gastos com  roupas e acessórios. A mudança de mentalidade aconteceu quando ela percebeu que consumia desnecessariamente e começou a se desfazer de algumas peças. “Não era a quantidade delas que a fazia feliz. Comecei a desapegar! Abri o The Ladies Brechó e mergulhei de cabeça no universo da moda consciente”, compartilha.

Poluição e trabalho escravo

Saber a procedência das roupas é fundamental. Um dado que chamou muito a atenção da produtora de moda é o de que a indústria têxtil é a segunda no ranking do trabalho escravo, no Brasil. O que motivou Lylle a ser voluntária, há um ano, no Fashion Revolution, que também é um movimento que questiona a origem e condições de trabalho da fabricação das roupas.

Sob o ponto de vista da sustentabilidade, poucas pessoas sabem, mas tecidos como poliéster, demoram mais de 200 anos para se decompor. Já a viscose, exige que 70 milhões de árvores sejam derrubadas todos os anos. Nem o algodão fica fora da lista, uma vez que necessita substância tóxicas para o seu cultivo e uma grande quantidade de água.

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