30.3 C
Manaus, BR
24 de julho de 2021
Artigos Dra. Nazaré Mussa

Síndrome do Ninho Vazio


Olá! Como vai você?

Este texto descreve a Síndrome do Ninho Vazio. É um tema importante.

Você já passou por isso?

 Está passando?

Tem filhos pequenos?

Provavelmente passará por isso, nossos filhos crescem, saem de casa e por conta dos nossos muitos afazeres não percebemos como o tempo corre. Você está pronto como pai ou como mãe para passar por esta fase que algumas vezes é tumultuada, mas, não pode ser problemática e nem patológica. Existe uma diferença entre passar pela fase e não adoecer, transformando essa fase da melhor maneira possível.

Cada um de nós vai sentir a diferença do filho saindo de maneira própria, porque nós somos seres independentes, individuais e cada um de nós vai dar aos acontecimentos um teor que é próprio de cada um de nós, que tem a ver com nossas crenças, com tudo aquilo que nós internalizamos no decorrer de nosso processo.

Então, você está pronto(a) para ouvir sobre a Síndrome do Ninho Vazio?

Síndrome é um conjunto de sintomas. É importante falarmos disso e ninho vazio, imagine! Simbolicamente falando, imagine, aquele ninho onde tem os filhotinhos e os filhotinhos aprendem a voar. Digamos que neste ninho tenham três filhotinhos, esses filhotinhos aprendem a voar e vão embora para viverem a vida deles, suas experiências e histórias. O ninho ficará vazio. Existem pessoas que tem só um, existem pessoas obviamente que tem vários filhos.

A medida que cada filho vai saindo, existe uma representação simbólica. Então, nós temos que dividir essas coisas muito bem para que fique claro.

Como eu vou fazer, a partir do momento que os meus filhos saírem de casa para viverem a vida deles?

É interessante pensar o seguinte, nós vamos começar a dividir porque cada caso é único, todas os temas que falam de emoção ou de psicologia, não se pode generalizar, cada um vive a experiência de uma maneira única, então, nós não podemos dizer “mas, olha, isso é o natural… olha, mas a fulana viveu assim, por que você não conseguiu?” A resposta é simples, porque a “fulana” não é você. Porque cada um de nós tem uma estrutura psicológica, tem suas crenças, então, vai viver sim, de maneira diferente e é por isso que não podemos generalizar quando falamos do humano.

Imagina aquele casal que vive junto, marido, mulher, o casal, a família, os filhos. Agora, imagine aquela pessoa separada, divorciada e que tem uma outra estrutura, ou seja, houve uma mudança, existe uma alteração, de forma que as pessoas vão agir de maneira diferente de acordo com a sua vivência.

Vamos pensar na separação que é a partida desse filho, quando eu falo de mãe ou de pai, eu estou me referindo aquela pessoa que convive com o filho diariamente.

Pense nessa mãe que viveu a vida inteira se dedicando e cuidando desse filho, como ela vai ficar? O filho encontrou uma pessoa e vai casar, ou arrumou uma proposta de trabalho irrecusável e vai morar em um outro País. Isso parece ter acontecido muito rápido. Porque para uma mãe que convive com esse filho, os acontecimentos são muito mais rápidos. Esse pensamento é mais acelerado. “Meu filho, minha filha, vai sair de casa…vai me abandonar”. Não é assim, não há abandono.

A maneira como a pessoa vê a situação é que faz a diferença, pensa do ponto de vista positivo, pois o filho vai morar e prosperar em um outro País. Ele recebeu uma proposta de trabalho irrecusável, vai crescer profissionalmente, vai ter experiências diferentes…então, essa mãe não deveria estar feliz? Sim, está muito feliz, mas, não consegue se ver neste momento morando sozinha em casa.

Uma pessoa com muitos filhos, digamos, três filhos que é uma hipótese, tem geralmente um filho que é mais independente emocionalmente, ele mora em casa, mas todos os dias ele sai para o trabalho e só retorna para dormir. Esse filho já saiu de casa faz tempo, simbolicamente falando. Mas, tem sempre aquele filho que é mais ligado a mãe e que a mãe é mais dependente dele, então assim, vamos pensar do ponto de vista positivo, essa mãe precisa nesse momento olhar para si, se ela deixou as amigas para cuidar desses filhos, de trabalhar fora de casa, se ela dedicou a vida dela toda, em prol desses filhos, aqui eu tenho uma situação. Agora, se essa mãe sempre trabalhou fora e também se dedicou aos filhos em toda a educação e cuidados, eu tenho uma outra situação. Perceba que os momentos são diferentes, mas o fato é o mesmo. O filho vai sair, a filha vai sair. Você precisa dar conta disso.

Eu gosto muito de uma palavra que é RESIGNIFICAR. Como eu posso resignificar esse momento? Pode ser positivo? Pode. Eu posso pegar esse momento e transformar em coisas boas. Como eu faço isso? Perceba que esse filho(a) saiu para viver um casamento, ele (a) saiu para morar em outra cidade, saiu para desenvolver um outro trabalho, então, você precisa se reinventar e não entrar naquela vida de cobranças.

-Você não me ligou hoje, poxa vida, você me abandonou! Esse comportamento faz seu filho(a) sofrer. Perceba que para ele também é difícil sair de casa e deixar toda a estrutura, tem uma ligação emocional que precisa ser prazerosa entre vocês. Você não vai mudar para casa do filho porque ele casou, nem vai viajar com ele porque ele vai morar em um outro País, mas você precisa entender que não pode ser egoísta nesta vida. Precisa deixar o filho ou filha caminhar, fazer sua independência emocional.

 Quando você cobra muito de um filho, faz chantagem emocional e muitas vezes nós pais fazemos chantagens emocionais sem percebermos que estamos fazendo e o nosso filho ou filha sofre com isso porque se questiona, será que eu estou agindo assim com a minha mãe? Meu Deus!

Tem uma situação que é completamente diferente, rouba de nós a paz, trazendo uma dor insuportável, é quando esse ninho fica vazio por alguma razão muito difícil de suportar. Por exemplo, seu filho está saindo para estudar fora, casar ou trabalhar fora, aqui eu tenho uma situação, mas mesmo morando fora, seu filho está “próximo” e você pode ligar para falar com ele. Já pensou naquela mãe ou pai que o seu filho saiu e não voltou? A vida arrancou de você esse filho. Deixando esse vazio existencial na sua vida e você sabe que esse filho não vai mais voltar para você porque aconteceu um acidente de carro, porque ele foi vítima de uma violência terrível, uma doença que levou seu filho. Não importa. A dor vai existir. Já parou para pensar? Essa dor que nos rouba a paz e que faz muitas vezes nós olharmos para a vida com um olhar meio cinzento. Não existe cura para o luto porque luto não é doença, é um sentimento de tristeza profunda, mas que nós temos que aprender a conviver com essa ausência, tem a ver com sua crença, com sua religiosidade, sua história de vida… Como é que você vai fazer daqui para frente? Esse será outro texto. Por hora tente descobrir meios de viver da melhor maneira possível a situação que se apresenta, se você não consegue sozinho(a) não tenha vergonha de procurar ajuda.

Espero ter contribuído com sua reflexão. Aprendemos juntos.

Nazaré Mussa é Psicologa e escritora.
Pós graduada em psicopedagogia e interdisciplinaridade, terapia e clínica psicanalítica, terapia cognitiva comportamental, psicologia do trânsito, Neuropsicologia e doutoranda em psicologia pela UCES em Buenos Aires e Educação no Paraguai.

Siga minhas redes sociais:

Instagram: @nazaremussa
Facebook: @psinazaremussa

Publicações Relacionadas

Sem consciência de classe, não há avanço

Francisco Araujo

E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. João 8:32.

Francisco Araujo

Onde ficou nosso amor ao futebol?

Francisco Araujo

Deixe um comentário

WhatsApp chat
takipçi al takip2018 takipcihilesi
takipçi al takip2018 takipcihilesi