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3 de julho de 2020
Agronegócio

Sebrae investe R$ 5,2 milhões em melhoramento genético de gado leiteiro e de carne no Amazonas

Em quatro anos, o Amazonas deu um salto no melhoramento genético do seu rebanho de gado leiteiro e de corte. À frente desta revolução produtiva no campo está o Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae) que, no período investiu R$ 3,5 milhões e, até o fim do ano colocará mais R$ 1,7 milhão, totalizando R$ 5,2 milhões de investimentos na área da pecuária leiteira e de corte.

As raças Girolando (leite), Nelore (corte) a Senepol (corte), são as ‘estrelas’ desta seleção genética, que projeta a região, no curto prazo, a elevados patamares de produtividade leiteira e de carne, na Amazônia. A raça Guzerá, de grande rusticidade e dupla aptidão leite e carne, também está sendo introduzida no rebanho amazonense, através da transferência de embriões, o que deverá acontecer no segundo semestre de 2020 com 80 embriões, em uma fazenda no município de Apuí, no Sul do Amazonas.

Segundo o produtor rural Fabiano Gollo, 41, da vicinal Matupi km 5, do Sítio Babaçu, no distrito de Santo Antônio do Matupi (Manicoré), no Sul do Amazonas, foi o melhor investimento que ele fez em sua propriedade; onde vive com sua esposa Márcia,34, e os dois filhos Henrique, 14, e Vinicius, 7 anos.

Casal Fabiano Gollo e Márcia Gollo com o filho Henrique e bezerra Girolando da parceria com o SEBRAE de melhoramento genético no Sitio Babaçu em Santo Antonio do Matupi (Manicore)

Com um plantel de 70 animais (leiteiros), sendo 50 meio sangue e 5 de 3/8 da raça Girolando, ele produz 150 litros de leite, diariamente, e vende para o Laticínio Matupi. Sua renda mensal desta atividade supera os R$ 4,500,00. Ele pretende aumentar o seu rebanho leiteiro com novas transferências de embriões e aumentar a produtividade da sua propriedade rural. 

“O Sebrae nos ajuda muito, porque 70% dos custos ele banca e o restante é com a gente, que temos tido excelente resultado na produção e na qualidade do leite. Com tecnologia e manejo adequado, estamos melhorando nossa capacidade de produção por animal, que hoje é de 7 litros, e já projetamos o dobro disso, no curto prazo, com o melhoramento genético”, comentou.

Ele complementa sua renda com a produção de milho e com silagem. Seus equipamentos como trator e outras máquinas agrícolas, também servem para melhorar sua receita, já que ele às emprega em outras fazendas da região e cobra diária.  ​

Da agricultura para o leite

O produtor rural João Carlos Rech tem um plantel de 40 vacas girolando e produz, aproximadamente, 70 litros de leite por dia em seu Sítio São João, em Santo Antônio do Matupi, e vende para o laticínio local. Ele participa do programa do Sebrae desde 2018 e investiu R$ 29 mil (30%), o Sebrae entrou com os 70% restante.

Casal de produtores rurais João Carlos Rech e Regina Rech com seus animais da raça Girolando da parceria de melhoramento genético com o Sebrae no sítio São João no distrito de Santo Antônio do Matupi (Manicore)

“Originalmente, nós somos agricultores, eu minha mulher (Regina Rech), mas o que está dando certo e giro financeiro é a venda do leite com esses animais, que temos do melhoramento genético. Até o momento, 21 vacas nos deram bezerros novos, com qualidade genética de 3/4 e 5/8 “. 

Atualmente, ele produz uma média diária de 6 litros por animal, mas sua meta é chegar a 20 litros por dia, no médio prazo, com o melhoramento do plantel do programa do Sebrae. Ele destacou, “tenho uma vaca com potencial de produção diária de 40 litros, segundo apontou um teste genômico realizado no meu plantel”.

Dona Regina Rech disse que o melhoramento genético trouxe nova esperança, depois de ter passado por dificuldades na agricultura; mas, prevenido e com visão empreendedora, o casal continua plantando mandioca, banana, melancia, mogno, andiroba, entre outras espécies. 

“A gente está isolado de tudo, mas com o Sebrae conseguimos melhorar de qualidade de vida. Estamos felizes, porque encontramos o rumo certo da nossa produção leiteira”, salientou a produtora rural.

Presidência  

Segundo o presidente do Conselho Deliberativo Estadual (CDE) do Sebrae Amazonas, Muni Lourenço, “o Estado vem apresentando crescimento na produção da cadeia do leite, contando com a instalação de fazendas técnicas; bem como plantas agroindustriais, que estão colocando nas gôndolas dos supermercados da capital amazonense produtos de qualidade como queijos, iogurtes, requeijão, manteigas, coalhadas, entre outros derivados do leite”.

Ele disse que “a trajetória de crescimento se deve ao trabalho do Sebrae Amazonas, que tem prestado um apoio fundamental à pecuária leiteira, principalmente, a partir do Programa de Melhoramento Genético; que vem facilitando o acesso dos produtores rurais às mais modernas técnicas de reprodução animal; tais como a transferência de embriões, inseminação artificial em tempo fixo (IATF) e avaliação genômica”.

Muni Lourenço destacou que esse avanço está se verificando na pecuária de corte com ganhos significativos de qualidade de carcaça e peso, igualmente decorrentes da melhoria genética das raças Nelore e Senepol, proporcionado pelo programa do Sebrae Amazonas, que também irá atuar com embriões da raça Guzerá ainda este ano.

Bacia leiteira

A bacia leiteira amazonense está posicionada nos municípios de Autazes, Manicoré (distrito de Santo Antônio do Matupi), Apuí, Presidente Figueiredo, Manacapuru e Parintins. Nessas cidades laticínios e queijarias artesanais se destacam. Mesmo com toda a produção local, cerca de 80% dos produtos lácteos vem de fora do Estado. 

Isso transforma a capital amazonense, com seus mais de 2,1 milhões de habitantes e seu forte poder de compra, em decorrência dos cerca de 90 mil empregos diretos do Polo Industrial de Manaus (PIM), em uma metrópole dependente de alimentos importados e com os preços acima da média nacional. 

Reverter esta dependência, é o principal objetivo dos produtores de leite do Amazonas, da Secretaria de Produção Rural (Sepror), capitaneada pelo secretário Petrucio Magalhães e pelo Sebrae, sob a liderança geral da superintendente Lamisse Said Cavalcanti; que tem como diretora Técnica Adrianne Antony Gonçalves, a quem está subordinado o programa de melhoramento genético da instituição.

Gerente 

Na linha de frente, a gerente da Unidade de Atendimento Coletivo (UAC) do Sebrae, Maria de Jesus Vieira (conhecida carinhosamente como Dije) desenvolve um trabalho que se transformou em referência de qualidade genética na Amazônia. Atenta a toda cadeia produtiva do leite (gado Girolando) e do gado de corte (Nelore, Senepol e Guzerá), cerca de 30% do projeto de melhoramento genético se dá em animais para corte. Ela entende a sustentabilidade rural de forma integrada com gestão, sanidade animal e nutrição. 

Mas para que tudo dê certo, no entendimento de Dijé, “é fundamental a integração de todas as entidades que atuam na área, como Sepror; Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea); Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar); Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam); Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), entre outras instituições do setor primário”.

Gestor 

Para o gestor do projeto de leite e de gado de corte do Sebrae, o analista sênior do agronegócio Erivan dos Santos Oliveira, “ainda este ano, depois da pandemia, serão investidos cerca de R$ 1,7 milhão em melhoramento genético das raças Girolando, Nelore, Senepol e Guzerá em várias regiões do Estado, notadamente no Sul do Amazonas, onde a pecuária leiteira e de corte é mais forte”. 

Erivan Oliveira ressalta que o Sebrae continua recebendo as novas demandas dos produtores para 2020, e que há recursos para ampliar a plataforma de fornecimento de embriões, por ser uma política prioritária da instituição na interiorização da alta tecnologia genética.

Livre de aftosa

Com o Amazonas ficando livre da vacinação da febre aftosa em 13 municípios do Sul do Amazonas, a tendência, que já está se verificando, é o aumento do rebanho bovino, que deve saltar de 1,3 milhão de cabeças para algo próximo a 1,8 milhão no médio prazo (dois anos). Gados de Rondônia, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Goiás e de outras regiões do Brasil, estão entrando no Amazonas. 

Cidades como Boca do Acre, Lábrea, Humaitá, Manicoré (distrito de Santo Antônio do Matupi); Apuí, Novo Aripuanã, Canutama,  entre outras do cinturão do agronegócio do Sul do Estado, iniciaram o aumento do plantel bovino e veem no melhoramento genético, tanto para o gado leiteiro como de corte, a melhor alternativa para ganho de produtividade, com alta tecnologia de procriação através da prenhez de fêmeas por meio do FIV.

Informações da assessoria de imprensa e fotos de Antonio Ximenes

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