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6 de março de 2021
Artigos Felipe Sandrin

Porque pular etapas?

Porque a gente não pode primeiro aprender a amar na distância, aprender a amar a falta do outro, aprender a amar a saudade?

Porque a gente precisa ter dinheiro para tudo, para viajar, para jantares caros, para presentes de marca?

Porque a gente precisa estar sempre bonito para o outro, você maquiada e eu bem vestido?

E porque a gente precisaria transar sempre, estar sempre feliz e otimista?

Olha só, eu quero passar por todas as fases com você. Quero te merecer, merecer esse carinho seu que me conforta. Quero merecer nosso dinheirinho suado e cada por do sol lindo que veremos juntos. Quero sentar na mesa de um restaurante chique usando um vestido lindo, mas quero isso apenas como complemento do principal, pois na minha frente estará o homem da minha vida.

Quero chegar em casa cansado de um dia de trabalho e provar desse sabor de quem lhe espera com amor, quem lhe espera com a camisa de dormir e uma jantinha pronta. Quero essa mesa bonitinha e a mulher da minha vida usando coque, andando de pé no chão pela casa.

Quero o chique e o bonito, mas quero ainda mais o nosso bagunçado e as nossas caras de recém acordados. Quero pagar caro num vinho, mas lembrar feliz das moedas que compravam o lanche de esquina. Quero olhar o sol se por na sacada de um hotel top e rir com você lembrando daquelas manhãs que acordávamos com o barulho dos vizinhos.

Quero a glória… não a glória do luxo, mas a glória de pertencer aos teus dias, ao teu passado. Quero a sensação daquele futuro que se faz com mãos dadas e quero com orgulho poder lembrar que não importa onde estaríamos no futuro porque bem ou mal estaríamos lutando junto.

Quero sim ter, ter muito, para poder dar tudo a você. Mas o que mais quero é essa sensação que hoje já sinto, a sensação de que independente do que nos espere lá na frente eu tenha certeza sobre quem estará ao meu lado… você.

Felipe Sandrin é Músico e escritor, Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias.

@Felipe_sandrin

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