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7 de maio de 2021
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O valor e o preço da moda

Quem estudou afinco às aulas de marketing vai lembrar-se desta afirmação: valor e preço são totalmente diferentes, pois valor está ligado e é justificado ao material e aos conceitos de algo, enquanto preço é o custo da matéria-prima somado às taxas. Pode parecer um simples conceito de estudo, mas na verdade é muito mais que isso, e estamos em um momento onde esta discussão se torna fundamental na moda. 

Depois da afirmação de um estilista que trabalha em uma das marcas francesas seculares de maior prestígio e sofisticação afirmou por aí que “o streetwear morreu”, o assunto esquentou. Mas não é exatamente sobre o streetwear que Virgil Abloh estava se referindo. O que o designer deixou de mensagem é que se o consumo está descontrolado e precisamos estar sempre comprando camisetas novas, o conceito de ter uma peça e usar muito, amar essa roupa e valorizar seu pertencimento, está desaparecendo. A moda sempre esteve ligada ao novo, à espera do próximo lançamento, uma pressa absurda em fazer mais rápido e emplacar vendas. E então por que pensar assim agora?

O consumo desenfreado e sem pertencimento nada tem a ver com o não consumo. As marcas que atualmente se focam em propósito não pregam o “não consumo”. Afinal quebraria todo um sistema econômico. Ser socialmente ativo é consumir, de alguma maneira. Consumir serviços, alimentação, vestimentas, entre outros. E consumir de maneira inteligente é consumir de maneira mais sustentável, pensar no entorno, no que gera o consumo sem propósito. Investir em peças de qualidade para durem mais é consumo consciente. Comprar o que você precisa e sinta necessidade é sim consumo consciente. Comprar em excesso, pagar muito barato por peças e incentivar o trabalho análogo à escravidão está longe disso!

Então é nesse ponto que entra o preço e o valor da moda, que está classificada como economia criativa, no qual produz algo material com valores imateriais também. Com uma cadeia extensa que oscila entre produção, criação, confecção, marketing, distribuição, a moda é uma das maiores indústrias geradoras de empregos. Mas para que esses empregos sejam justos, precisamos entender e dar valor a essa cadeia. Criticar e reclamar de marcas nacionais de preço direcionado a alta qualidade, modelagem diferenciada, pós-venda e marketing de alta performance, e comprar de marcas internacionais pagando muito mais por acreditar que é status, é desvalorizar todo o consumo consciente. 

Fomentar marcas nacionais, preferir roupas de boa qualidade (pagando por isso) é mensurar e controlar o consumo são atitudes altamente inteligentes. Você cria a relação com o que veste, com o seu estilo, com uma cadeia justa e que terá futuro. Na próxima vez que for adquirir novas peças, reflita sobre isso: valor e preço. E faça sua escolha!

Por Mariana Goulart – Foto: Divulgação

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