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5 de agosto de 2021
Saúde

Já foram feitos vários testes de drogas contra o Covid-19, porém nenhuma eficácia comprovada

“Nenhuma terapia se mostrou efetiva até agora”, afirma um levantamento recente feito por cientistas da Universidade do Texas analisando mais de 100 testes clínicos de medicamentos para combater a Covid-19. O trabalho, encomendado pela AMA (Associação Médica Americana), lista muitas iniciativas já fracassadas e algumas poucas que deixam cientistas ainda intrigados, sem esconder a frustração com falta de evidência para as drogas usadas até agora.

Publicado no JAMA, o periódico acadêmico da AMA, o trabalho fez uma varredura na literatura médica publicada até 25 de março, quando 350 testes clínicos relacionados ao novo coronavírus estavam registrados. Destes, muitos não eram específicos para a doença, vários se referem a vacinas (não fármacos) e alguns se referem a pacientes pediátricos, que não eram o foco da revisão. Sobraram na lista dos pesquisadores 109 iniciativas mais sólidas para avaliar, além de mais de mil estudos, que incluem também relatos de casos isolados.

Em quase quatro meses de epidemia, entre as drogas candidatas já deixadas para trás está, por exemplo, o Tamiflu (oseltamivir). Efetivo contra gripe, o remédio chegou a ser usado inadvertidamente em janeiro em pacientes com Covid-19 que não tinham recebido diagnóstico adequado. Numa avaliação posterior, médicos já constataram que não funcionava bem. O uso de corticoides para tentar evitar os processos inflamatórios mais nocivos da Covid-19 também falharam.

Em meio ao cenário de incerteza, um dos medicamentos que ainda nutrem certa esperança está o antiviral remdesivir, criado originalmente para combater o ebola, mas ainda não aprovado para comercialização na maioria dos países. Um teste que reuniu dados de 53 pacientes nos EUA, Itália, Japão e Canadá viu melhora em 36 (68%) deles com a droga. Como os voluntários não foram comparados a pessoas recebendo placebo ou outros tratamentos, porém, os próprios autores do trabalho reconhecem que a evidência de eficácia deste fármaco é insuficiente, em artigo publicado sexta-feira (10) no New England Journal of Medicine.

O remdesivir é um dos quatro tratamentos escolhidos para o programa Solidarity, da OMS (Organização Mundial da Saúde) que articula um teste em grupos maiores em vários países, que busca conseguir evidências melhores da eficácia de algumas drogas. Os outros fármacos no projeto são o anti-HIV Kaletra (combinação dos fármacos lopinavir e ritonavir), o interferon-beta, usado para atrite reumatoide, e a variação cloroquina/hidroxicloroquina, usada contra malária.

Nenhuma dessas terapias, porém, obteve resultados que permitam conclusões claras até agora.

A hidroxicloroquina, apesar de ainda ganhar a atenção dos médicos, também não entusiasmou os autores da revisão do JAMA, liderados pelo farmacólogo James Sanders. Testes com resultados promissores na França, afirma, eram em grupos pequenos e não contabilizaram voluntários excluídos do teste por problemas de adaptação à terapia. Um teste similar na China, também pequeno, mas com um grupo mais adequado para comparação, não observou nenhum benefício visível da cloroquina.

O Kaletra, visto como promissor no início da epidemia, também está em uma situação ambígua. Resultados de um teste com 199 pacientes hospitalizados por Covod-19 na China, publicados ainda em março no New England Journal of Medicine, não conseguiram enxergar nenhum benefício da droga. Cientistas acreditam que, talvez, os efeitos só sejam perceptíveis para pacientes graves, que receberão a droga em outros testes por vir.

Fonte: Agência Globo

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