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9 de agosto de 2020
Mundo

Irã confirma que abateu Boeing 737 e matou 176 civis

O governo do Irã, após muita negação, finalmente admitiu que abateu o Boeing 737 da Ukraine International após decolar de Teerã.

A notícia vem logo após EUA e Canadá acusarem formalmente o país de ter abatido o jato, entrando em contradição com as afirmações suspeitas por parte do governo iraniano de falha técnica.

A informação foi divulgada no início da tarde dessa sexta-feira pelo jornal local Iran International e confirmada à noite pela Associated Press.

Oficiais iranianos afirmam que o avião foi abatido por engano ao ser confundido com um alvo hostil após tomar rumo de um “centro militar sensível” da Guarda Revolucionária do Irã, o exército local.

Boeing 737
Destroços do jato em Teerã

“Nestas condições, devido ao erro humano e de maneira não intencional, o voo foi atingindo”, afirma a declaração oficial do governo.

O país pede desculpas pelo desastre e afirma que irá atualizar os sistemas para evitar “confusões” no futuro.

Apesar da afirmação veemente do governo iraniano de ter sido um erro devido à trajetória do avião, a desculpa não convence.

Primeiramente, porque o avião estava a baixa altitude e velocidade, o que seria um erro tático do mais banal para qualquer piloto voando em território inimigo.

Segundo, porque o sistema Tor é moderno e equipado com a função Friend of Foe, que mostra para o operador se o alvo é amigo, hostil ou não identificado.

Aparentemente, assim como os sírios, os iranianos não sabem utilizar este sistema básico, tendo derrubado um avião “amigo”.

A única aeronave que tem a assinatura radar próxima do 737-800 é o P-8 Poseidon da Marinha dos EUA (USN).

O jato é um 737-800ER com ponta de asas modificadas e transformado para ser um caça-submarinos, mas Teerã fica 620km distante do Golfo Pérsico, área onde a USN atua por serem águas internacionais.

Por último e não menos importante, o avião estava muito próximo do aeroporto e praticamente em uma trajetória em linha reta da pista que decolou.

Outro ponto que vale destacar é que, ao contrário de todos os casos anteriores em que jatos civis foram derrubados por mísseis anti-aéreos, neste o avião não estava em cruzeiro e tampouco em uma rota onde já tinha tido conflito anteriormente, como foi o caso do navio USS Vincennes que derrubou o Airbus da Iran Air ou do sistema Buk russo que derrubou o Boeing 777 da Malaysian.

O Canadá, país estrangeiro que teve mais vítimas nacionais a bordo do 737, ainda não se pronunciou sobre a confissão do Irã.

Fonte: Associated Press

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