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18 de maio de 2021
Saúde

Genocídio indígena: Amazonas é o estado com mais óbitos pela Covid-19

Genocídio indígena

Segundo a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, a pandemia do coronavírus já infectou 34, 2 mil indígenas e matou 489 apenas na zona rural. O Amazonas é o estado do Brasil com mais óbitos de indígenas pela Covid-19, com 211 casos. Seguido por Mato Grosso com 138 casos. Depois vem Mato Grosso do Sul, com 93.

No entanto, dados da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) apresentam um número bem maior. O Instituto vem realizando o levantamento independente do número de casos, alegando a subnotificação dos casos por meio dos dados oficiais. Segundo a Apib, já são 41 mil casos e 885 óbitos. Totalizando 161 povos afetados.

O atendimento médico nos povos da floresta é realizado por meio dos 34 Distritos Especiais de Saúde Indígena (Dsei) distribuídos por todo o Brasil. Segundo a Funai, eles atendem cerca de 800 mil indígenas aldeados, o que é quase toda a população indígena do País (869,9 mil). A principal problemática que afeta quem precisa desses atendimentos em casos graves é a distância, visto que, para receber atendimento, o indígena tem a necessidade de viajar em média 400 km.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a distância é a maior do Brasil para que sejam efetuados os atendimentos para coronavírus em casos mais graves.

Uma das vítimas do coronavírus, foi Raimundo Cardoso, indígena munduruku de 84 anos que vivia na aldeia Kwatá, nas proximidades do município de Nova Olinda do Norte (distante a 126 quilômetros de Manaus). Em entrevista para o Em Tempo, a esposa do falecido, a também indígena do povo munduruku, Maria Brasil, alegou que ambos adoeceram juntos e evoluíram para o estado grave da Covid-19.

Eles ainda permaneceram por mais de uma semana na aldeia, com sintomas da doença. No entanto, até que o exame fosse confirmado não estava permitida a saída da aldeia. Para os familiares, a demora no atendimento foi um dos principais fatores para o falecimento do patriarca.

“A gente não tinha apoio, mas depois que meu pai veio para Nova Olinda fazer o exame, os agentes vieram rápido. Assim que amanheceu, minha irmã foi avisar na aldeia que eles fizeram o teste e deu positivo. A gente ficou triste, porque a gente pensava que não era essa doença”, conta Anubia Brasil, filha do falecido.

A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) lamentou a morte do idoso e informou que ele seria o quarto da fila para ser transferido para Manaus. Ele faleceu antes da transferência.

Por meio de nota, “a Susam garante que a morte do idoso não ocorreu por falta de leito no Hospital de Combate à Covid-19 […] o pedido de transferência do paciente foi inserido no Sister [sistema que as unidades de saúde usam para pedir transferências de pacientes] na quarta-feira (27) e não foi especificado se o mesmo era indígena. O paciente era o quarto da fila do município de Nova Olinda do Norte. No dia 28, um dia após o pedido, foram transferidos dois pacientes mais graves do município”.

A história de Raimundo diz respeito à maioria das situações vividas por todos os indígenas diariamente, principalmente em tempos de pandemia, mostrando a falta de assistência e falta de estrutura na área da saúde nos interiores.

Com informações do blog Tucuximy

Foto: arquivo/ Amazônia Real

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