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17 de junho de 2021
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Fotojornalista conta processo de segundo livro que retrata manejo de pirarucu

Nesta sexta-feira (21), o fotógrafo Bruno Kelly vai apresentar às 18h (horário de Manaus) o livro de fotografias “Arapaima” (livroarapaima.com.br/), através de live no Instagram da Editora Artisan Raw Books (@artisanrawbooks). Há uma promoção também acontecendo no Instagram para o sorteio de um exemplar.

O nome do fotolivro vem do termo científico que identifica o peixe pirarucu, Arapaima gigas, tido como o maior peixe de escamas de água doce do mundo e que quase foi extinto. Para saber mais sobre o que fez Bruno Kelly lançar seu segundo fotolivro, que conta com texto da jornalista Mônica Prestes, o portal Amazônia Press conversou com o profissional nesta quarta-feira (19).

Histórico por detrás das fotografias

Sem pensar que faria um fotolivro, Bruno, como fotojornalista de um jornal amazonense, foi a uma primeira viagem para acompanhar o manejo comunitário de pirarucu no Rio Juruá, próximo a Carauari, em 2012. Foi uma reportagem não muito profunda, a equipe ficou de dois a três dias com os pescadores e comunitários. “Pra mim, foi fantástico, assim, sabe? Foi uma experiência que mexeu muito comigo, sabe? Gostei muito, fiquei muito impressionado com aquele nível de organização deles… Toda aquela energia que eles tinham durante a pesca, que é realmente uma pesca comunitária, que todo mundo participa… Os jovens, as mulheres…”, relatou Bruno Kelly para o Amazônia Press.

Diante da primeira viagem, rápida, o fotojornalista sentiu necessidade de acompanhar o lugar por mais tempo para fazer uma reportagem mais profunda, conhecer mais os pescadores e sua família, como é a vida dos pescadores e também como é feita a pesca. Bruno Kelly propôs para o jornal onde trabalhava para que eles voltassem em 2013. “Consegui um apoio, a gente nunca faz nada sozinho, tem a Fundação Amazônia Sustentável que dá apoio aos ribeirinhos nesse manejo… E aí fiz uma proposta para eles ‘A gente quer fazer uma reportagem, uma grande reportagem, um caderno especial sobre o manejo’ e eles entraram com apoio logístico pra gente”, contou o fotógrafo. Nisso, entrou no acompanhamento a repórter Mônica Prestes, quem assina os textos do livro “Arapaima”.

Os dois ficaram no meio de 2013 acompanhando o manejo de pirarucu na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. “Que é um lugar lindo! Primeira RDS do Brasil, um projeto muito bom que é acompanhado pelo Instituto Mamirauá também”. Bruno compartilhou também que os dois voltaram com a missão de “contar como realmente é”, morando em uma voadeira e indo a casa dos ribeirinhos para contar histórias e acompanhar a pesca. Desse acompanhamento de um mês, saiu um caderno especial no começo de 2014 sobre o manejo de pirarucu e tiveram a felicidade de ganhar um prêmio nacional (Prêmio Sebrae de Jornalismo).

O manejo é sempre feito no segundo semestre, na época de seca. Os rios e lagos secam e os peixes ficam represados, o que facilita na época de fazer a pesca do peixe. “Mais uma vez, tive a oportunidade de estar lá com os pescadores, foi fantástico, aquele ambiente em que você aprende muito, sabe? Esses povos tradicionais, eles são realmente os guardiões da floresta, seja os ribeirinhos, os povos indígenas, os quilombolas, eles moram e vivem da floresta. Eles trabalham em harmonia com a floresta. É um exemplo de que a gente pode sim viver da floresta sem precisar destruir a floresta”, declarou o fotojornalista sobre a segunda viagem.

Depois dessa reportagem mais aprofundada, por Bruno ter um pouco mais de conhecimento do manejo e das pessoas, ele começou a voltar todos os anos que era possível através das duas instituições para acompanhar o manejo que acontece uma vez ao ano. Como uma documentação mais pessoal, Bruno Kelly gostava realmente de estar lá e aprender com os comunitários.

Documentação transformada em dois livros

Só surgiu o pensamento de fazer um fotolivro quando Márcio Pimenta, que ia abrir uma editora, fez um convite para o Bruno Kelly ser um de seus autores. Bruno conversou com Márcio sobre o trabalho fotográfico que já vinha fazendo do manejo comunitário do pirarucu. A partir dessa conversa, teve o processo em 2019 e a realização em 2020 de um pequeno fotolivro que possuía 30 unidades. 10 livros ficaram com a Editora Artisan Raw Books (/www.editoraartisan.com.br/blog), 5 livros ficaram com ele e os demais foram distribuídos aos comunitários. O pequeno fotolivro, feito com muito carinho, foi um sucesso entre os comunitários, especialmente para os jovens, considerados o futuro do manejo, que puderam enxergar uma parte das histórias de suas famílias ali.

“A ideia de fazer esse livro menor era realmente ter um produto que a gente pudesse apresentar para pessoas que pudessem financiar um livro maior”, declarou o fotojornalista. “Depois disso, ainda continuei com o projeto. A ideia era ter voltado em 2019, em 2020, mas veio a pandemia e todas as nossas possibilidades, seja de financiamento ou até de voltar para a comunidade para dar continuidade na documentação, a gente teve que paralisar porque a gente entrou nessa situação que a gente tá até hoje. Infelizmente, tudo que tínhamos de força, energia e poder financeiro foram concentrados pelo combate à pandemia”. Porém, após a criação da Lei Aldir Blanc do governo federal e do Prêmio Feliciano Lana do governo amazonense e eles conseguirem ser contemplados, eles conseguiram fazer um livro maior para mostrar esse projeto para a sociedade em geral e também para mostrar aos ribeirinhos.

No processo do segundo livro de 100 exemplares, o sócio de Márcio Pimenta, o editor Henry Milleo, ajudou Bruno e Mônica na construção de uma narrativa mais ampla do manejo de pirarucu para o fotolivro que viria a se tornar “Arapaima”. O objetivo do livro não é ser comercializado, mas distribuído para universidades, escolas e bibliotecas públicas do Amazonas, bem como para os ribeirinhos. Além das edições físicas, o livro conta com sua versão digital disponível para download no site livroarapaima.com.br O objetivo do segundo livro também é alcançar fins educacionais e para que o manejo seja entendido por mais pessoas e também ajudar aos ribeirinhos.

Perfil de Bruno Kelly

Repórter fotográfico formado em jornalismo pela Universidade do Vale do Paraíba, Bruno Kelly é natural de São José dos Campos, interior de São Paulo, e vive em Manaus desde 2009, onde cobre temas relacionados à Amazônia.

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