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17 de junho de 2021
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Estado Islâmico: como grupo surgiu do caos de guerras para aterrorizar o mundo

A morte de Osama bin Laden, numa impressionante operação militar americana em solo paquistanês, em maio de 2011, espalhou uma sensação de alívio nos países que vinham sofrendo ataques organizados pelo grupo Al-Qaeda. O responsável pelo 11 de Setembro e tantos outros atentados não podia mais espalhar sua campanha de violência. Poucos imaginavam, no entanto, que não muito longe dali, no ainda instável e violento Iraque, pudesse estar nascendo uma ameaça potencialmente ainda mais grave.

Apesar das inúmeras vitórias de forças aliadas contra grupos islamistas, vários jihadistas – os que promovem a chamada “guerra santa” muçulmana – remanescentes da Al-Qaeda no Iraque se reorganizaram. Em 2013, nascia o chamado Estado Islâmico no Iraque e no Levante, conhecido também pela sigla Isis, que viria a dominar e aterrorizar partes do Iraque e da Síria e espalhar suas matanças por vários continentes.

Origens do ‘Estado Islâmico’

Durante a ocupação americana e britânica do Iraque, uma das maiores dores de cabeça para as forças de ocupação e para o novo regime iraquiano eram as operações da Al-Qaeda no Iraque. Liderado pelo jordaniano Abu Musab al-Zarqawi, o grupo foi responsável pela maior parte das atrocidades cometidas pela insurgência sunita, como inúmeros atentados a bomba contra a população xiita e sequestros e decapitação de estrangeiros. Zarqawi foi morto por forças americanas em 2006, assim como outros líderes subsequentes. A Al-Qaeda no Iraque, porém, continuou ativa. Após a passagem do bastão para diferentes líderes, as atividades dos jihadistas passaram a ser comandadas pelo iraquiano Abu Bakr al-Baghdadi, um religioso enigmático conhecido por muitos como “o xeque invisível”.

Os Estados Unidos, porém, já o conheciam. Baghdadi havia sido detido pelas forças americanas em Falluja, no Iraque, em 2004 e mantido por dez meses na prisão de Camp Bucca, onde estabeleceu relações com futuros líderes de seu movimento jihadista. Solto por ser considerado de baixa periculosidade, ele então assumiu a chefia de um conselho de sharia (lei islâmica) da Al-Qaeda no Iraque – que após a morte de Zarqawi mudara de nome para Estado Islâmico no Iraque. Baghdadi chegou à liderança da organização, depois que outros chefes morreram, e em 2013 deu um passo ambicioso. Vendo que a Síria mergulhara numa devastadora guerra civil, ele decidiu que o assim chamado Estado Islâmico seria regional. Não mais apenas do Iraque, mas também da Síria – ou do Levante, como aquela área é chamada.

Território, finanças e violência

Ao apresentar-se como um “Estado” reivindicando territórios em dois países estabelecidos, o Isis diferenciava-se de outras organizações jihadistas. O grupo tinha como objetivo conquistar grandes cidades e regiões, administrá-las, impor suas leis fundamentalistas sobre a população e extrair benefícios financeiros de suas riquezas e economia. Atuando nos dois lados da fronteira entre Síria e Iraque, o Estado Islâmico beneficiou-se do caos sírio e do forte ressentimento dos sunitas iraquianos em relação ao governo xiita em Bagdá. Ainda em 2013, o Isis avançou em território sírio, usando principalmente combatentes estrangeiros, recrutados até mesmo da Europa. Em pouco tempo entrou em choque com outras organizações rebeldes na Síria, como o Exército Sírio Livre (FSA) e grupos islamistas que compunham a Frente Islâmica.

Em uma análise publicada pela BBC News em junho de 2014, o pesquisador Charile Copper, da Fundação Quilliam, disse que o anúncio de Baghdadi marcava o início de “uma nova era de jihadismo internacional”. Segundo Copper, apesar de ser provavelmente rejeitado pela comunidade muçulmana mundo afora, o califado declarado pelo líder do Isis colocava o grupo no comando da militância islamista internacional – à frente da Al-Qaeda. “Isso significa que a possibilidade de um ataque do Isis contra um alvo ocidental – como uma tentativa de empurrar a Al-Qaeda para a irrelevância – não é improvável.” Foi exatamente o que aconteceu.

Foto: Reprodução/ internet

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