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7 de maio de 2021
Artigos Pastores Edson e Lenir

E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará- João 8:32

Há algum tempo atrás encontrei uma irmã e, como todo pastor que se preza, fui logo perguntando aonde ela estava congregando. Ela, com um ar de tristeza, me disse que tinha saído da sua antiga denominação, pois havia ficado desiludida e desencantada. Não me contive e dei um glória a Deus, coisa pouco comum num comedido batista tradicional. A irmã, coitada, ficou me olhando com cara de como assim? Então passei a explicar que, graças a Deus, ela estava no caminho certo. Se estava desiludida, tinha deixado de ser iludida e se estava desencantada, tinha caído na real.

Mas isso me fez pensar no tipo de evangelho que está sendo pregado. Um evangelho cheio de ilusões e de encantamentos. Um evangelho que já não prega o plano de Deus para a salvação do homem, com o foco no sacrifício de Jesus no Calvário, que não nos incentiva a buscar as coisas lá do alto, que nos faz cobiçar bens materiais e nos faz esquecer dos dons espirituais. Um evangelho que discorda frontalmente da Bíblia quando ela afirma que somos forasteiros aqui na terra e nos leva a desobedecer a Jesus que nos ordena: não ajunteis tesouros na terra, já que, como forasteiros, estamos apenas de passagem por aqui. Um evangelho que nos encanta com promessas, que até estão na Bíblia, mas são propositalmente tiradas do contexto com o único intuito de ludibriar e atrair os incautos.

Quem está num deserto causticante sempre tem miragens com cenários paradisíacos, onde há muita sombra e água fresca, mas é só ilusão. O verdadeiro evangelho de Jesus nos convida a viver a realidade nua e crua da vida, a ter certeza de que no mundo teremos aflições, que na realidade, o mundo nos odeia, a começar com o convite de Jesus que diz: aquele que quiser me seguir, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e me siga.

O negar a si mesmo é um doloroso trabalho de parto que gera uma nova criatura. Não é fácil negar a nós mesmos. Não é fácil declarar: agora não mais vivo eu; Cristo vive em mim. Não é fácil viver a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. Não é fácil declarar como Maria declarou: cumpra em mim o Teu querer.

A primeira coisa que fazemos ao nascer de novo é chorar. Choramos de alegria por ter sido escolhido pelo Senhor. Choramos de tristeza pelas nossas fraquezas, pecados e delitos.
Agora, ainda temos que tomar a nossa cruz que é pesada, quase insuportável e a carregaremos enquanto estivermos aqui, sem pausa para descanso. Esta cruz tem alguns significados importantes para mim. O primeiro significado é a vigilância. Temos que estar sempre vigilantes e o próprio Jesus afirma que o espírito está pronto, mas a carne é fraca. O segundo significado são os pecados, as tentações sempre diante de mim e o terceiro significado me mostrando que agora a minha condenação ou a minha salvação só dependem de mim e eu preciso ser fiel até a morte.

O seguir a Jesus, que supostamente seria a parte mais fácil, é de uma dificuldade enorme. Tenho que amar como Jesus amou, perdoar como Jesus perdoou e ser dependente da vontade do Pai, como Jesus sempre foi.

No evangelho de Jesus não tem espaço para ilusões e encantamentos; não existe o convite para parar de sofrer, não existe a promessa da prosperidade somente pela prosperidade. Jesus, que era o filho de Deus, declarou que não tinha aonde repousar a sua cabeça, fugiu para não ser apedrejado e acabou morrendo em uma cruz. Os seus discípulos morreram pobres e violentamente martirizados. As promessas não serviam para eles? Será que eles eram mais pecadores do que nós? Ou será que nós somos melhores do que eles?

Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; Somos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.
Romanos 8:35-39

Edson BB de Jesus – É Pastor da IGREJA BATISTA BÍBLICA DE FLORES – Uma Igreja de Poder – MANAUS – AM.

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