Déspota ex-presidente do Zimbábue, Robert Mugabe morre aos 95 anos

Foto: Reuters/ Siphiwe Sibeko/ Direitos Reservados

O ex-presidente e líder político do Zimbábue, Robert Mugabe, morreu nesta sexta-feira aos 95 anos, depois de quase dois anos afastado do poder quando foi forçado a resignar e acabou sendo substituído por Emmerson Mnangagwa.

O anúncio da morte, foi feito no Twitter, pelo seu sucessor Emmerson Mnangagwa:”É com profundo pesar que anuncio a morte do pai fundador e ex-presidente do Zimbábue, o comandante Robert Mugabe”.

Mugabe morreu em Singapura, em um hospital onde estava recebendo tratamento há pelo menos 5 meses. Em 2018, seu sucessor anunciou que o ex-presidente não estava conseguindo andar, mas não justificou quais eram os problemas de saúde.

Robert Mugabe, foi uma uma figura política que dividia as opiniões, por seu discurso conservador e promessas de prosperidade nacional. Os apoiadores o consideravam como ‘herói nacional’ e a oposição como um ‘ditador cruel’.

Uma de suas frases mais polêmicas, usada em 2003, se direcionando aos que denunciaram os seus métodos ditatoriais: “Sou o Hitler da nossa época. O Hitler que só tem por objetivo a justiça para o seu povo, a soberania do seu povo, o reconhecimento da independência do seu povo e o seu direito a dispor das suas riquezas. Se isso é ser um Hitler, deixem-me ser Hitler vezes dez”.

Vida Política

Mugabe se tornou o ícone de libertação, o primeiro chefe de Governo eleito depois da independência do Reino Unido, em 1980, dando fim ao domínio da minoria branca. Em 1987, esse cargo foi abolido, então passou a ser o presidente do país.

Desde então, o país vem passado uma crise econômica, enfrentando várias crises e hiperinflação, frequentemente atingido por intensas secas e inundações. Mugabe manteve a doutrina socialista revolucionária da era da Guerra Fria, culpando os problemas econômicos do Zimbábue nos países capitalistas.

Tirania e corrupção

Logo que chegou ao poder, foi comemorada a sua ascensão por ser professor de origem pobre. De inicio canalizou esforços com a promessa pública de que melhoraria a vida dos cidadãos do país. Começou introduzindo o ensino primário gratuito, bem como o acesso à assistência médica básica para quem tinha baixa renda. As duas medidas, no entanto, chegaram a apenas uma fatia reduzida da população.

Enquanto os meios de comunicação da época falavam sobre fome e falta de medicamentos em hospitais públicos, o então presidente dava festas de aniversário milionárias. Forçando o país a viver dependente de ajudas humanitárias.

Mesmo com a promessa de economia nacional voltada a agricultura, a idéia não se sustentou, aumentando ainda mais a pobreza da população negra. As propriedades que deveriam ser distribuídas para inverter desequilíbrios econômicos, na verdade só beneficiaram Robert Mugabe e sua família.

A inflação atingiu valor recorde, provocando cortes em fornecimento de energia, com preços duplicando no mesmo dia e o descontrole financeiro da época, levou o Banco Central a emitir notas de trilhões de dólares zimbabuanos. Atualmente o país tem aproximadamente 70% de sua população abaixo do nível da pobreza e o desemprego em nível que corresponde cerca de 90%.

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