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4 de junho de 2020
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Coronavírus: fotojornalistas mostram a nova realidade vivida pela população durante a quarentena

fotografia coronavírus

Diante da atual situação do novo coronavírus, inúmeras fotografias arrepiantes repercutiram pelo mundo por mostrarem a nova realidade e marcarem o momento de isolamento vivido pela humanidade. Momentos históricos como o do Papa Francisco rezando sozinho em meio à Praça São Pedro, no Vaticano, vazia e dos inúmeros caixões em um armazém de Ponte San Peitro, que fica na região da Lombardia, na Itália, que seriam transportados para área de cremação foram eternizados por meio dos fotojornalistas.

Uma das imagens que mais circularam ultimamente foram as do funeral do músico Robson de Souza Lopes, 43, mais conhecido como Binho, proprietário e tecladista da Banda Joy, que faleceu na última segunda-feira (30), em decorrência do novo coronavírus. O registro do fotojornalista amazonense Edmar Barros mostrou um enterro marcado pelo distanciamento entre as pessoas e um sentimento de tristeza e solidão incomum.

“Já cobri diversas tragédias e grandes coberturas como a de Brumadinho e o massacre no Compaj, mas esse momento foi diferente de tudo que eu já tinha feito. Geralmente, nos enterros os familiares dão as mãos, fazem um círculo em volta do caixão para dar o último adeus ao ente querido e, por conta desse isolamento, todos estavam bem distantes. O que mais me chamou também, é que no momento da foto, os funcionários da funerária também estavam rezando junto com a família e eu nunca tinha visto isso”, declarou.

De acordo com o fotojornalista, por estar com a adrenalina alta e focado no trabalho não ficou com muito medo de contrair o vírus no momento das fotografias. Mas, quando o sangue esfria começa a analisar outras coisas e perceber o que poderia ter evitado durante os registros. Edmar também fez a cobertura da crise de sarampo, no qual foram 10 mil casos em Manaus, que foi a cidade com 95% dos casos do país inteiro.

“Nós ficamos pensando que podemos contrair, mas é aquela história, né? Faz parte do trabalho! O meu medo é mais controlado, mas fico com medo sim, principalmente depois que o sangue esfria”, ressaltou.

Apesar da situação e do momento do registro, para ele é gratificante ver um trabalho sendo publicado por grandes agências de notícias mundiais, como na CNN e no Daily News, e o ver repercutindo por todo o mundo. Além disso, o fotojornalista também relatou que outros trabalhos seus foram publicados por veículos de comunicação internacionais: como o do massacre no Compaj e do incêndio no Educandos, que repercutiu bastante e saiu na revista Times.

“É a finalidade do trabalho, que ele sirva de alguma coisa. Na verdade, eu sempre digo que nós somos mensageiros. Temos que entregar a mensagem para o maior número de pessoas, da melhor maneira possível, com todo o respeito. E quando repercute muito você sente que a missão foi cumprida e que a mensagem foi passada”, disse.

O fotógrafo nasceu em Lábrea, que fica a 853 km de distância de Manaus. Atua na área do fotojornalismo há mais de 15 anos e trabalha como o correspondente de duas agências de notícias, uma nacional e outra internacional, que é a Associated Press (AP), para qual a foto foi destinada. O fotojornalista também falou um pouco sobre a empatia que o profissional precisa ter.

“Apesar de tudo, o profissional deve se colocar no lugar das pessoas que você está retratando. A inspiração precisa vir de cada situação que você encontra na sua frente, em cada pauta que você vai”, ressaltou. Completou ainda que o fotojornalismo é a infantaria do jornalismo, visto que os profissionais são a “testemunha ocular do nosso tempo”. “É muito gratificante contribuir com a história. Nós não fotografamos para agora, mas sim para a memória. Para que daqui a algumas décadas, outras pessoas possam ver aquilo que fotografamos”.

Confira outras fotografias que repercutiram nos últimos dias:

Papa Francisco
Papa Francisco rezando na Praça de São Pedro vazia no dia 27 de março – Foto: Yara Nardi/AFP via Getty Images
caixões itália
Caixões com vítimas do coronavírus em um armazém em Ponte San Pietro, na Itália, a caminho da área de cremação – Foto: Piero Cruciatti/AFP via Getty Images
missa dominical
Missa dominical realizada por Giuseppe Corbari, que colocou as fotografias que foram enviadas pelos membros da congregação em Giussano, na Itália. Os serviços religiosos são transmitidos de forma online – Foto: Piero Cruciatti/AFP/Getty Images
culto dominical
Mulher participando de culto domunical na Igreja Batista de Nairóbi, no Quênia, mesmo com o serviço sendo transmitido ao vivo pela internet – Foto: Brian Inganga/AP

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