Muitas pessoas questionam o uso de máscaras seja ela feita de tecido mais resistente ou apenas descartável. No momento ela tem ajudado na guerra contra a Covid-19.

Antes da pandemia causada pelo novo coronavírus, era quase impensável ver grande parte da população usando máscaras de proteção na rua. 

Diversos especialistas alertam que, por conta do avanço do coronavírus pelo mundo, precisaremos usar máscara por muito tempo ainda.

O lado positivo deste novo hábito é que ele ajuda a nos proteger contra outras muitas doenças além da Covid-19.

João Pessoa, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV), explica que a máscara é útil para preservar o corpo principalmente contra doenças virais respiratórias e sistêmicas, já que este tipo de enfermidade é transmitida por meio de gotículas de saliva, também chamadas de perdigotos, que ficam suspensas no ar.

A primeira coisa que devemos ter em mente é que as máscaras recomendadas para o uso geral da população não são as máscaras cirúrgicas (descartáveis) ou as do tipo N95. As primeiras são indicadas para profissionais de saúde e pessoas que apresentem sintomas da covid-19, enquanto as N95 são reservadas para quem trabalha em ambientes ou em procedimentos de altíssimo risco de contaminação, como as UTIs.

Houve atualizações de qual seria o melhor tipo de máscara desde o início da pandemia. Para a população em geral, a indicação mais atual é de máscaras confeccionadas com pelo menos três camadas.

A transmissão de todas as formas de gripe também pode ser evitada com o uso de máscaras.

Conforme estudos, quatro cepas de coronavírus e outros 60 outros tipos de vírus causam resfriados, todos podem ser prevenidos pelas máscaras.

Com o tempo, a tendência é que as máscaras tornem-se ainda mais específicas e eficazes. Um exemplo é a Vesta, uma máscara modelo N95 aprimorada com tela capaz de inativar o coronavírus. Criada por Suélia Fleury Rosa, professora da Universidade de Brasília (UnB) e do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Biomédica da Faculdade do Gama (FGA), o equipamento de proteção é composto por três camadas, uma delas fabricada a partir de um polímero encontrado na casca de crustáceos.

De acordo com a pesquisadora, o item de proteção tem como objetivo impedir doenças infecciosas que se disseminam pela contaminação do ar. A máscara ainda está na fase de ensaios clínicos, etapa anterior ao pedido de registro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “A ideia é garantir segurança não só contra doenças, mas contra poeira, fumo, vapor orgânico, contaminantes ambientais, névoas contaminadas, partículas liquidas, partículas sólidas e oleosas, além de agentes biológicos como vírus e bactérias”, enumera Suélia.

Veja algumas outras doenças, além da Covid-19, que podem ser prevenidas pela máscara:

Mononucleose, a “doença do beijo”
A mononucleose infecciosa é uma doença viral que se transmite, principalmente, pelo contato com a saliva do indivíduo contaminado e que causa sintomas como febre, dor de cabeça, dor e inflamação da garganta, inchaço das ínguas, especialmente do pescoço, placas esbranquiçadas na garganta e na boca, cansaço intenso e aumento do baço.

Hanseníase
Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a hanseníase é uma doença infecciosa causada por uma bactéria chamada Mycobacterium leprae ou bacilo de Hansen. A transmissão ocorre quando há contato com gotículas de saliva ou secreções do nariz de pacientes que não se estão em tratamento.

Sarampo
De acordo com João Pessoa, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV), o sarampo é uma das doenças mais contagiosas já registradas. A estimativa é que uma pessoa contaminada transmita a doença para outros 20 indivíduos. Para efeito de comparação, o mais recente monitoramento do Imperial College de Londres, no Reino Unido, aponta que a taxa de transmissão do coronavírus no Brasil está em 1,08 — o que significa que cada infectado passa a doença adiante para menos de duas pessoas.

Hantavirose
A doença é causada pelo hantavírus, que fica encubado em algumas espécies de roedores silvestres e pode causar problemas graves, como a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH). A transmissão para o homem ocorre pelo contato humano com fezes, saliva ou urina dos animais.

“Em locais de baixíssima higiene, as partículas contaminadas podem entrar em suspensão”, explica o virologista João Pessoa. “A pessoa vai varrer a casa, por exemplo, e faz com que estas partículas com o vírus entrem em suspensão”. Ao aspirá-las, corre o risco de se contaminar.

Adenovírus
O grupo de vírus denominado adenovírus pode causar diversas doenças respiratórias, entre elas o resfriado comum, a conjuntivite, a crupe (doença inflamatória dos tratos respiratórios superior e inferior), a pneumonia e a bronquite. Os adenovírus podem causar infecções respiratórias e/ou do trato intestinal, com sintomas como tosse, coriza, febre, diarreia, vômitos e coriza. A transmissão se dá pelo contato com os vírus, seja pelo ar, por objetos contaminados ou pela higiene insuficiente (contato fecal-oral).

Vírus sincicial respiratório
Este tipo de vírus é um dos principais responsáveis por problemas respiratórios em bebês de zero a 2 anos e pode ser fatal em crianças prematuras. É considerado sazonal, ou seja, circula em cada região numa determinada estação do ano — no Centro-Oeste, sua temporada é a partir de fevereiro. Também transmitido através do contato com secreções, o vírus sincicial respiratório pode causar pneumonia e bronquiolite.

Rinovírus
Os vírus da família rinovírus são os principais causadores do resfriado, junto com os vírus parainfluenza e o vírus sincicial respiratório (VSR). Estima-se que existam mais de 100 sorotipos de rinovírus diferentes. Além do contato direto, as infecções causadas por rinovírus ocorrem por aerossóis de partículas grandes.

Caxumba
A doença infecciosa é causada pelo vírus da família Paramyxoviridae. A caxumba pode ser transmitida por via aérea, por meio das gotículas de saliva da pessoa contaminada, e se instala nas glândulas salivares, causando inchaço entre a orelha e o queixo, além de dor no rosto.

Sarampo
Altamente contagioso mas de fácil prevenção (a vacina é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde), o sarampo gera sintomas como febre, tosse persistente, corrimento nasal e conjuntivite, com pequenas manchas avermelhadas que começam perto do couro cabeludo e depois vão descendo e se espalhando pelo corpo.

H1N1
Também chamado de influenza H1N1, gripe H1N1, influenza A e de vírus H1N1, este tipo de vírus é uma variação do vírus da gripe responsável pela gripe suína. Além de ser transmitido pelo contato com secreções de pessoas contaminadas, também pode estar presente no ar. Se não tratada, a gripe H1N1 pode, em casos mais graves, levar a óbito.

Com informações do Metrópoles Foto: Divulgação