A influência da igreja evangélica na Política, na América Latina

Fonte: revistasenso

“Deus permitiu que a Bíblia voltasse a entrar no Palácio. Que Ele nos abençoe”, foram as palavras da senadora Jeanine Añes no dia 13 de novembro, quando foi proclamada presidente interina da Bolívia após renúncia de Evo Morales. Não estava apenas orgulhosa, como fazia seus agradecimentos a Deus, exibindo duas Bíblias com as mãos.

Assim como o presidente Jair Bolsonaro, Jeanine Añes teve o apoio dos cristãos. Nos Estados Unidos, não foi diferente. Donald Trump contou em entrevistas que teve apoio das igrejas pentecostais para se eleger. Pode parecer coincidência, mas não é.

O historiador americano Andrew Chesnut conta que a forte influência dos evangélicos na ascensão e queda de líderes é uma tendência política atual e até comum do continente americano. Pode-se dizer que o crescimento das igrejas evangélicas e a sua entrada na política, afetem quase que diretamente as articulações para decidir quem está ou não, no poder.

O exemplo mais claro disso, e também mais recente, é a do presidente Jair Bolsonaro, cujo episódio contou com apoio crucial de igrejas e órgãos evangélicos. “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, diz lema do presidente.

Mas ainda há controvérsias sobre o assunto. Mesmo com tantos apoiadores a presidentes ou candidatos, a igreja ainda mantém sua consciência Cristã, que legisla para que esse ambiente não seja atingido pela Lei e que não se misture inteiramente com a Política.

“Fico imaginando que Jesus, que há dois mil anos atrás disse: ‘os campos estão prontos, faltam obreiros’. Há dois mil anos atrás faltavam obreiros, hoje ainda faltam obreiros e o pastor deixa o ministério e vai ser político? E ainda diz que é a mando do Senhor?”, diz o pastor Edson, da Igreja de Flores, Manaus. “Ainda se vê toda a bancada evangélica enrolada com a Lava Jato. Então, nesse momento, acredito que Política e Religião não se misturam, não tem como. No momento atual, a igreja não tem testemunho suficiente para se envolver em Política e nem Política é um ambiente saudável para a igreja.”

Por que o mesmo não acontece com a igreja católica?

De acordo com pesquisas, o continente americano vem sofrendo queda no número de católicos. Enquanto o número de evangélicos, têm crescido de forma assustadora. Segundo o principal centro de pesquisa sobre religiões, o Pew Research Center, entre 1900 e 1960, os católicos eram mais de 90% da população da América Latina e, atualmente, estão em apenas 50%.

Andrew Chesnut destaca este detalhe, afirmando que os católicos são um grupo mais heterogêneo, com diferentes tipos de segmentos, que seguem tanto a esquerda, quanto a direita, o que dificulta as articulações políticas de forma mais coordenada.

“Dentro do catolicismo você tem setores conservadores, ligados ao Opus Dei, por exemplo, e mais progressistas, como os membros da teologia da libertação. Então, há mais diversidade e isso torna a tarefa de fazer uma aliança católica mais difícil. Já os evangélicos são mais homogêneos politicamente, isso facilita a união e as alianças para eleger determinados políticos”, explica ele.

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